quarta-feira, 20 de abril de 2011

O valor das coisas simples


Pergunta rápida: O que te deixa mais feliz? Receber inesperadamente um valor em dinheiro, ou receber um abraço de quem você ama?

Pensou rápido?

Não estou aqui pra julgar o que é mais valoroso pra vocês, ou pra mim... esse texto é somente uma reflexão.

Hoje à tarde, estava no trabalho, quando esse pensamento veio à minha cabeça. O nascimento do meu filhote Diogo (que após um parto muito difícil, ficou com paralisia cerebral), veio como um balde de água gelada, mas apesar de tudo o que passamos, o que ficou de bom foi essa mudança de valores. Primeiramente não me abati, também não me revoltei. Chorei e sofri, mas em contrapartida, o fato de temer a sua morte, me fez valorizar cada segundo ao seu lado.

Somente o peguei no colo 14 dias depois do seu nascimento, não consegui amamentá-lo, tinha que aceitar interferências de médicos e enfermeiras, nunca ouvi "mamãe", fiquei internada com ele mais de um ano. Ele se alimentava por sonda, respirava com ajuda de aparelhos ... porém seus olhos e seu sorriso me diziam tudo, tendo ele em meu colo, me sentia plena de amor e felicidade, a sensação era de paz e alegria, difícil descrevê-la. E a reação de quem ficava ao seu lado era a mesma... de estar ao lado de um anjo.

Por isso que hoje quando vejo minha pequena Giovana, correndo de lá pra cá, fazendo "arte", dizendo "mamã" (inclusive para as avós...rsrs), comendo de tudo, tendo apenas uma gripe, me sinto privilegiada, pois dou valor para cada momento seu. Tudo que não podia esperar do Diogo, com a Giovana vem facinho, facinho... assim, sem mais nem menos.


Pra mim valorizar as coisas simples, é ter esse mesmo "olhar" para a vida, para cada dia que amanhece, para cada flor que nasce, para a chuva que "atrapalha" nosso dia, a paciência para resolver uma questão difícil, que se não tiver solução, segundo um pensador, remediada está, e assim por diante.


Quando descubro que alguém está triste ou com depressão (e não estou desmerecendo a importância disso, mesmo porque eu já tive), penso que se essa pessoa tivesse a grata oportunidade de visitar leitos num hospital, ou numa UTI, ou em home care, ou visitar um asilo, ou um orfanato, ficaria feliz em constatar que ouvir e dividir histórias com quem precisa, nos faz muito bem, faz nos sentir úteis, e por fim, talvez descobrirá que seu problema, é muito pequeno.

Após a morte do Diogo, as únicas coisas que deram sentido à minha vida foram, o nascimento da Giovana e o voluntariado. Pois o voluntariado é o Diogo, me dizendo todos os dias, que devo ajudar quem precisa, significa honrar a breve, porém brilhante vida que teve ao nosso lado!

Doe amor, doe palavras de carinho, doe atenção, doe seu tempo, se puder doe dinheiro, por que não? Mas o que vale é fazer de coração!!!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mandalas

Quem vive em home care, sabe como nosso cotidiano é difícil. Ás vezes, a gente precisa de uma fuga, passar um tempo sozinha, fazer alguma atividade que nos conecte com outra realidade, reciclar energias.

Para o dia das mães, estou fazendo mandalas com DVD´s usados. Dizem que o Jung, discípulo do Freud, costumava fazer mandalas na areia do lago que ficava próximo à sua casa. Foi durante o tempo em que ele rompeu com o mestre e precisava trabalhar a mágoa. Se o Jung pode, porque eu não?




Não é difícil de fazer e a gente ainda ajuda na reciclagem pois as mandalas são feitas com DVD´s usados e velhos. É um presente bonito, barato e ainda ajuda a gente a relaxar a mente!



Olhando assim, parece que é difícil, mas não é! A gente pode fazer um monte de mandalas e colorir o mundo!

domingo, 3 de abril de 2011

Reflexão

Quero compartilhar com todos um fato que aconteceu comigo.Fui participar de uma avaliação global da AACD, a minha querida Larissa na época estava com 03 anos, então fizeram uma roda com diversos profissionais (pediatra, fisioterapeuta, fono, terapeuta ocupacional, assistente social, psicólogo) me pediram para contar o que tinha acontecido na vida da minha filha até aquele momento. Então passei a relatar tudo que lembrei no momento, no final eles falaram que bom que sua filha esta evoluindo apesar de tudo que já vivenciou até o momento, respondi GRAÇAS A DEUS.

Então passaram para outra mãe, com a filha da mesma idade da Larissa, então a mãe falou assim: " Não tenho muito para contar, moro no interior de São Paulo, minha casa tem piscina, quando ela tinha 1 ano e 3 meses, abriu a porta da sala e não vimos, caiu na piscina e se afogou, ela não anda, não fala e se mexe muito pouco, usa traqueo e gastro", perguntaram a mãe se ela tinha Home Care, que respondeu com outra pergunta O que é isso? Ela que cuida sozinha da filha, sem nenhuma ajuda de profissionais.

Naquele instante me senti um nada, meus olhos encheram de lágrimas, fechei meus olhos e agradeci a DEUS, minha filha não tem nada, ela é perfeita. E pedi para que ajudasse aquela mãe e colocasse anjos na vida delas.

As vezes, quando acho que estou muito cansada, de minha rotina de Home Care, sempre vem em minhas lembranças esta mãe, e agradeço a Deus, por me dar forças e anjos que me ajudam a cuidar da Larissa com todo carinho e cubro ela de beijos e o desânimo desaparece.
Procuro sempre estar alegre, pedras no caminho sempre existirão, mas cabe a nós darmos sentido a elas.