segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

NÓIS e o HOME CARE

Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas no meu caso não foi bem assim. O Homem lá de cima decidiu, ou talvez viu que eu era meio burrito, e resolveu tacar um anjinho da asa machucada pra minha familia tomar conta. As minhas mulheres fizeram de tudo pra tira-lo do hospital e traze-lo pra casa. Hoje vejo que foi a melhor coisa do mundo, lamento que quando o Pai de todos nós chamou-o de volta, foi que eu percebi que podia ter dado muito mais de mim. Naquela época eu achava tudo difícil, mas a gente costuma dar valor só ao que a gente perde.

Então Papai do Céu na sua imensa sabedoria tacou outro anjinho em minha vida. O primeiro foi o Pedro, menino mais adorado, sempre com um sorriso, nunca exigiu pessoalmente nada de mim. Se eu desse um carinho tava bom, se não, ele continuava ali , esperando, sempre com aquele arzinho de "tá tudo bem Pai, eu sei que é difícil pra você também".

Já a princesa que veio depois, a Raquel, essa é super exigente," não fala comigo, eu choro , sem colo, eu choro, se não gosto, viro a cara, e quero muito colo." Mas ela tem sido a razão de nossas vidas e enchido nossas vidas de amor e os nossos sacos com este tal de home care. Mas como não se faz um omelete sem quebrar os ovos, enfrentaremos tudo e todos por nossa princesa. Pimenta no home care dos outros é refresco, peço aos manos que escrevam pra nóis e contem sua história, pois os brutos também amam!

Da Lagarta

É assim que vi o Home Care de início. Como uma Lagarta, grande, reluzente e gorda. Muitos vão me dizer que lagartas são insetos legais, coloridos e atraentes, e devo concordar que, por vezes, é verdade. Mas é assim com o Home Care também. Ele é atraente, já que me permite estar próxima de minha irmã de 5 anos, a Raquel. Que me permite abraçá-la, confortá-la e fazê-la sorrir sem o desconforto de estar no hospital, mas essa é outra história, agora ele ainda é uma Lagarta.

Uma Lagarta que queima e incomoda, que irrita e que está presente 24 horas do dia. Pois não há uma hora sequer que minha casa não esteja invadida, seja por auxiliares, fisioterapeutas, médicos ou entregas, seja de medicamentos ou de materiais. Nem sequer sinto que estou em minha casa! Tenho que pensar na roupa que uso, nas coisas que digo e que faço, pois todos estão vendo e todos comentam.

Se brigo com minha mãe ou meu pai sei que todos sairão comentando, cedo ou tarde. Se chego às 2 da manhã sei que logo estarei na conversa de muitas pessoas, que dirão que na casa em que trabalham a irmã da paciente fica farreando à noite. Ou se resolvo passar o dia lendo dirão que não faço nada. Sempre haverá motivos para comentarem de minha vida, ainda mais porque esses profissionais acabam fazendo parte dela.

É uma invasão constante e diária, tem vezes que não me sinto em minha casa e quando quero privacidade muitas vezes é necessário me trancar no banheiro! Rsrsrs... E só assim me sentir sozinha e em privacidade total.

Essa é a Lagarta para qual abrimos nossa casa na esperança que um dia se torne uma Borboleta, bela e leve, e rezamos para que essa transformação não demore, pois nossa paciência tem limites! Rsrsrs...

Home care: é de comer?



Home care não é de comer, nem de beber. Mas dá um trabalho... Muitas pessoas não conhecem essa realidade e muita gente se assusta quando começa a conviver com home care. São muitas dúvidas, muitos medos, muita insegurança...


Quando comecei a conviver com home care, há doze anos, me senti muito solitária, sem ter com quem partilhar essa realidade. Queria trocar experiências, tirar dúvidas, mas era muito difícil encontrar alguém que também convivesse com home care. Além disso, como também sou a cuidadora oficial de minha princesinha Raquel, além de mãe 24 horas por dia e enfermeira, fisioterapeuta e médica nas horas vagas, a minha vida pessoal é extremamente restrita...

Ao longo dos anos, conheci outras mães de home care maravilhosas e todas sentiam falta desse contato. Daí tivemos a idéia de criar um blog para que pudéssemos conhecer mais pessoas, compartilhar mais experiências e divulgar esse estranho e desconhecido mundo do home care.

Não sei nem mexer direito nessa coisa de blog (eu só entendo de home care...) e espero sinceramente que apareçam muitas pessoas para ampliar e melhorar a idéia!

Sejam bem-vindos!