sábado, 28 de maio de 2011

PET SMILE














Comentei aqui sobre um programa que leva animais para visitarem os doentes nos hospitais. Fiz uma pesquisa e descobri que esse projeto se chama Pet Smile e foi fundado por uma veterinária e psicóloga Hannelore Fuchs. Ela coordena o projeto Pet Smile, em São Paulo, há quase dez anos. Ela e uma dezena de voluntários levam animais para interagir com crianças e adolescentes em hospitais ou em instituições. Nas visitas, as vedetes são cães, gatos e coelhos.


"Além de servir como distração, a visita dos animais é importante para a saúde das crianças. Pesquisas mostram que boas emoções interferem de maneira positiva no sistema imunológico", afirma a pediatra Maria Tereza Gutierrez, da Santa Casa de São Paulo. Segundo a médica, a visita gera bons frutos no ambiente hospitalar, interferindo no humor não só dos pacientes mas de enfermeiros e médicos.

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Este projeto demonstra que a dose certa para superar as doenças está na reciprocidade das relações afetivas.Os animais são sempre um remédio intermediário para equilibrar nossas emoções, refletindo em todo o nosso organismo.


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A proposta é favorecer o contato entre o animal e a criança ou idoso, amenizando o estresse provocado pela internação e suprindo a carência afetiva.

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Os animais que participam do projeto recebem um treinamento especial, são manuseados, socializados, educados e passam por rigorosa avaliação comportamental, onde seu desempenho é reavaliado a cada visita. "Os terapeutas-bichos tem que estar com a saúde impecável, com a vacinação e vermifugação em dia e também com as condições psico-biológicas perfeitas", observa a Dra. Hannelore.


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terça-feira, 24 de maio de 2011

Amor não tem Raça


Sei que tem gente que não aprova, mas a Raquel tem uma cachorrinha vira-lata que vive entrando no quarto dela, lambendo sua mão, tentando pular no berço, na banheira, querendo chamar sua atenção.


Muitas vezes ela já antecipou situações em que a Raquel ficou ruim. Houve uma vez em que ela ficou histérica, tentando pular no berço da Raquel de qualquer jeito, chorando para alcançar sua mãozinha, arranhando a porta do quarto e uivando sem parar! Aparentemente não havia nada que justificasse essa histeria dela, a Raquel estava numa fase muito boa. Uma semana depois disso, a Raquel fraturou a perna e a Xiuí (o nome da cachorrinha) simplesmente parou com os ataques histéricos!


Parecia que ela queria nos avisar do que ia ocorrer. Dizem que os animais tem sexto sentido, por exempo, eles conseguem pressentir um terremoto antes de ele ocorrer. Depois disso nós demos o título de enfermeira para a Xiuí!


Há um programa que leva animais para as crianças na UTI, os animais (tem até tartaruga!) acalmam e distraem as crianças e permitem que elas consigam aceitar melhor a internação.

Conheço outras histórias de cachorros que tornam-se dedicados cuidadores de seus donos doentes. Tinha um que trazia a toalha para o dono antes do banho! Sabia até a hora em que ele ia tomar banho!


Sei que tem gente que não acha apropriado essa intimidade entre doentes e animais, mas, por incrível que pareça, a Raquel tem alergia a uma porção de coisas, menos da lambida da Xiuí!


Quando o Pedro era vivo, o Bóris (um gato também vira-lata) vivia dormindo debaixo de seu berço. Na noite em que ele faleceu, o Bóris passou a noite inteira em cima da prateleira do BIPAP olhando fixamente para a cama vazia...


Muitas vezes, esses animais são capazes de mais doação e amor do que a nossa própria família... E a gente sabe que é principalmente o amor que mantém nossos anjinhos por mais tempo junto da gente!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Exercício do Respeito Mútuo

 

Ás vezes ouço as pessoas reclamando das mães de home care. São muito chatas, fazem exigências absurdas, acham que sabem tudo sobre seus filhos, ficam vigiando cada procedimento dos profissionais.


Eu gostaria que essas pessoas fizessem um exercício: colocar-se no lugar dessas mães apenas por um instante, todos os dias.  Será que elas seriam muito diferentes?


Quando somos mães de uma criança normal, ninguém questiona nossas decisões, mas quando somos mães de home care, há um pelotão de pessoas com quem vamos dividir essas decisões, que vão julgar nossas decisões, que vão criticar nossas decisões porque elas partilham dos cuidados com nossos filhos diariamente.


Mas essas pessoas não são mães de nossos filhos, podem ser amigas, podem ser confidentes, ou não, mas elas não estarão 24 horas com eles, não vivenciarão cada momento de triunfo ou fracasso deles, não vão chorar ou rir com ele ou por ele a cada etapa vencida. Elas estão temporariamente conosco, quem vai caminhar o tempo todo junto deles somos nós. Tenho home care há 13 anos, quantas pessoas já passaram pela minha casa? Muitas, algumas deixaram saudades, outras não.


Essas pessoas passam por nossa vida e a única constante na vida de nossos filhos somos nós. A referência principal somos nós, que doamos a vida, o amor, o tempo, as noites, até os cabelos brancos...


Sei que ás vezes exageramos nos cuidados, nos mimos, nas exigências, nas "chatices", mas se as pessoas parassem para pensar que ali está uma mãe preocupada, aflita, que provavelmente não verá o filho andar, falar, crescer normalmente, talvez se tornassem mais tolerantes.


Há um tempo para cada aprendizado. Tanto para nós em relação às lições que recebemos de nossos filhos diariamente, quanto para cada profissional que entra em nossas vidas e na vida de nossos filhos. Não somos só nós que temos que aprender a aceitar, eles também.


Divulgam tanto a necessidade de exercícios físicos para promover a saúde, vamos divulgar o exercício da tolerãncia e respeito mútuo para promover a convivência saudável entre as pessoas!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Nosso melhor presente de Dia das Mães!


É com imensa alegria que compartilho com vocês a entrevista que demos ao jornal "Folha Universal" (http://www.folhauniversal.com.br/interna.jsp?codcanal=9844&edicao=996), sobre mães de home care. Pois pra nós só há sentido ter esse blog, se pudermos chegar a cada vez mais famílias, dando a oportunidade de pais, filhos, irmãos, netos, avós, cuidadores, de desabafar, dividir e encontrar aqui um canto de esperança e de histórias lindas de amor e superação.

Gostaria de agradecer a jornalista Raquel Maldonado, que foi super atenciosa e soube retratar o que falamos com toda a veracidade e sensibilidade. Também gostariamos de agradecer o fotógrafo e toda a equipe do jornal. Um agradecimento especial à nossa querida amiga Maju, da Ong Abrace (www.institutoabrace.org.br), que foi o elo desse encontro tão benvindo.


E no mais não poderia deixar de agradecer a Tânia e a Elaine, que com suas histórias emocionantes me deixa cada dia que passa mais orgulhosa e admirada. Parabéns pela coragem de se mostrarem, e com isso fica o exemplo e o convite pra quem quiser deixar um comentário, que pra nós será recebido como um presente, uma doação de amor!


Meu dia das mães foi maravilhoso porcausa da minha princesa Giovana e foi mais que agraciado e abençoado por causa dessa oportunidade que tivemos, foi o meu melhor presente de dia das mães!!!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Outra Margem do Rio




Compartilho aqui uma mensagem que li no mural do Instituto Abrace (www.institutoabrace.org.br), de autoria desconhecida e que registra tão bem o que sentimos quando perdemos um filho querido, uma pessoa amada...


Eu já estive do Lado de Lá...

Já fiz parte do grande número de famílias que moram na outra margem deste Rio, belo e misterioso, que é o trilho que percorremos neste mundo.

São pais, mães e filhos, que têm a felicidade de poderem se abraçar todos os dias, de partilharem as suas emoções e os seus sonhos.

Naquele tempo eu vivia com a tranquilidade de pessoa adulta, pouco dada ao pessimismo e possuidora da maturidade própria para enfrentar e ultrapassar os obstáculos que apareciam pelo caminho.

Quando ouvia falar de pais a quem a morte tinha roubado um filho, eu sentia um grande pesar, ficava tristemente impressionada e tornava-me solidária com a sua dor. Ao meu jeito, tentava levar-lhes algum conforto.

Era sensível à sua mágoa, era amiga, enfim, acreditava que compreendia e conseguia consolar.

Mas, depois de algum tempo, voltava à normalidade dos meus dias, às solicitações que a minha vida me impunha e, mesmo sem me aperceber, ia aos poucos ficando alheia da tragédia desses pais. Talvez pensando que respeitava o silêncio da sua dor ou achando que o tempo, ao passar, poderia fazer mais por eles do que eu. Pressentia até que não queriam ser perturbados e que impunham, mesmo, um afastamento.

Mas chegou o dia em que a minha vida mudou.

O MEU filho morreu.

Passei, então, para este Lado. Para a margem do Rio onde vive uma multidão de pais e mães, feridos, destroçados, com corações pra sempre mutilados.

Casas onde há um lugar vazio, onde se chora a partida, sem retorno, de um filho querido...

Inconsolável, achava que nada mais poderia me aliviar. Sentia que muitas pessoas se afastavam, fartas das minhas lágrimas e do meu sofrimento. As palavras que me eram dirigidas me feriam ainda mais e não tinham qualquer sentido, não conseguiam me consolar.

Cansada de sofrer, comecei por construir barreiras protetoras que me defendessem. Não queria mais sofrimento, não queria mais ser magoada e sabia que era difícil que alguém entendesse a luta que se travava no meu íntimo, no meu coração, na minha alma...

A morte do meu filho projetou-me para um poço escuro e tornei-me distante, inacessível, fechada para o mundo...

Achava que amigos, conhecidos, colegas e até alguns familiares, se distanciavam de mim.

Não falavam do meu filho, e percebia que havia um certo embaraço quando nos cruzávamos.

A cruz era minha e eu via os dias a amanhecer, uns atrás dos outros, sem que o meu tormento se atenuasse. Dias, semanas, meses passavam e ninguém me compreendia.

Mas algo foi se operando em mim e se ajeitando aos poucos em meu coração.

À medida que comecei a aceitar a minha perda, que comecei a dar espaço a mim própria para chorar e me libertar da culpa, da revolta e da angústia que me sufocava...

Repensei a minha vida e percebi que a análise que passei a fazer da morte... sobretudo da morte de um filho -, era bem diferente daquela que eu teria feito quando vivia na Outra Margem do Rio, quando desconhecia totalmente a profundidade e dimensão desta dor.

Compreendi que só quando uma parte de nós morre, é que nos sentimos almas gêmeas de outros pais a quem aconteceu o mesmo.

Antes, eu também não tinha capacidade para compreender e ficar ao lado, infinitamente, daqueles a quem a morte tinha mutilado.

Hoje, já vejo com clareza que o abandono que senti por parte de pessoas que se movimentavam no meu mundo, só teve como causa o mistério que a morte encerra e o quanto é doloroso falar dela.

E, quando se trata de um filho, apenas quem está muito chegado a nós ou alguém que já entrou na mesma estrada de luto, pode nos compreender verdadeiramente. Isto é humano. Hoje entendo... Hoje compreendo que não era insensibilidade das pessoas...

Nós, os que vivemos hoje deste Lado, não podemos nos esquecer que já estivemos antes na Outra Margem. E como agíamos naquele tempo com os Outros a quem tinha morrido um filho? Talvez da mesma forma que hoje agem conosco.

Agora sabemos qual o modo como poderíamos ter sido ajudados. Quais as palavras que não queríamos ter ouvido e como desejávamos que nos deixassem falar desse nosso Ser amado, que a morte tão cedo ceifou.

Queríamos, desesperadamente, que nos escutassem.

Por isso, hoje, eu e todos os pais, meus companheiros de luto, sabemos como chegar aos que vivem tranqüilamente na Outra Margem.

Assim, não nos magoemos ainda mais... Se eles não sabem como se dirigir a nós, se não sabem as palavras certas, se não entendem nosso comportamento... lembremos que nós, um dia, também já estivemos do Lado de Lá... e também desconhecíamos a magnitude desta dor.