Há muito tempo tenho pensado no tema acima, e de como a mídia nos impõe a necessidade de sermos super mães. Nos impõe sua vontade e nos incluem todas na mesma situação, quando diz:
- devemos ter parto natural.
- devemos amamentar.
- devemos nos sacrificar.
- e ainda trabalhar fora, ser dona de casa e se possível, mulher sexy, no fim do dia... ufa!
Esqueça tudo isso, pois o mínimo que você puder fazer já estará de bom tamanho, e olha que escrevo isso por experiência própria.
A mídia diz que o parto natural é o melhor.... depende de vários fatores. Sua saúde, a saúde do bebê, a sua vontade (que é só sua, não abra mão dela). Não estou aqui para fazer apologia da cesariana, apenas tentando dismistificar esse sentimento que quase todas as mulheres carregam... o de que "só é mãe de verdade quem sente a dor do parto".
Depois vem a amamentação. Nossa! Que prazer maravilhoso! Mas que pra ser prazeroso depende de vários fatores, como: tranquilidade, boa alimentação, bom sono, bastante água, apoio do marido e de familiares.
Aí digo... a amamentação está na cabeça, unicamente na cabeça. Se você estiver descansada, alimentada, amada, e se puder.... com certeza amamentará!
A mulher tem que passar por cima de comentários como "Toda mulher tem leite..." "Você deve ter algum problema" e por aí vai... E se por algum motivo você não amamentar, não será menos mãe. Você deve se esforçar, mas isso não deve estar na frente da sua paz, saúde, felicidade e da relação que você tem com seu filho.
Pois o governo, a mídia, impõem o que deve ser feito, mas não como deve ser feito.
Tenho dois exemplos para pontuar a questão.
Minha amiga que teve nenem na mesma época que eu, ía comigo à sala de ordenha do hospital. Lá, com a ajuda de bombinhas de tirar leite, íamos quatro, cinco vezes ao dia, para tirar leite para nossos pequenos guerreiros. Eles estavam na UTI Neonatal. Ou seja, as vezes, deixávamos de estar com eles, pra tirar leite. Portanto, não era a nossa idéia de amamentação, mas era o que podiamos dar pra eles. Num belo dia... minha amiga, que tentava, em vão, encher uma mamadeira, desligou a bomba e gritou: "Chega!!!! Não aguento mais ser vaca leiteira, vou ficar com minha filha, tchau!" E nunca mais tirou leite. Realmente, exigir qualquer tranquilidade, paz, hora de sono e boa alimentação para quem fica 12 horas por dia numa cadeira desconfortável ao lado do leito de seu filho, é severo demais, não é?
Outro exemplo é de uma amiga minha que tentava amamentar, e que por ter uma prima também amamentando, e com leite saindo pelos cotovelos, se sentiu inferior, já que ela não tinha tanto leite. Com a exibição da outra, se sentia cada vez mais diminuida. Um dia me ligou pra dizer que tinha algo de errado com ela... aí eu disse: "Você não será menos mãe se comprar leite em pó para o seu filho, pare de sofrer!"
E a fórmula é assim... cabeça tranquila e feliz: mais leite.
Portanto não se desesperem. Ninguém é igual ao outro. Não se sinta inferior.
O mais importante é o que li num livro, algo como:
O carinho e a segurança são o que seu bebê mais precisa pra crescer feliz e saudável!
Para quem vive com home care, para quem vai viver, para quem já não vive mais, para quem nunca ouviu falar. Conte como é, pergunte, desabafe, chore, ria.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Adeus!
Minha princesinha Raquel fez a viagem para o Céu na madrugada do dia 21...
Ainda algumas semanas antes eu sonhei com ela, nós caminhávamos por uma praia deserta de areia branca e finíssima, estávamos de mãos dadas, mas em silêncio. Ás vezes ela parava, pegava alguma conchinha, molhava os pezinhos nas ondas. Era uma criança perfeita. No meio da praia nós paramos, as duas ao mesmo tempo. De alguma forma sabíamos que ali era o limite. Então, ela soltou da minha mão e continuou a caminhar sozinha, eu fiquei olhando-a ainda durante algum tempo, sabia que tinha que voltar sem ela...
Não sei se ela se voltou e acenou com a mãozinha... Ela não estava com medo e eu não estava triste... Simplesmente sabíamos que tinha que ser assim...
E assim foi, uma parada cardíaca repentina durante o sono e ela se foi como um passarinho, sem dor, sem sofrimento... Ainda tentamos reanimá-la em casa enquanto o socorro não vinha, mas já era tarde demais...
Ela se foi bem do jeito dela, sem dizer tchau nem nada, do jeito que quis porque sempre foi manhosa e só fazia o que queria...
Agora é retornar pela praia, por cima de nossas pegadas e reencontrar o caminho novamente. Muito mais difícil porque é o segundo filho que perco e a dor é dupla, profunda, demais...
Só me fica a imagem dessa praia... Belíssima, um dia perfeito de céu puro azul, o mar calmo, tranquilo...
Que vontade de voltar para lá!
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