sábado, 14 de abril de 2012

O direito de viver!


"STF decide por 8 a 2 que não é crime aborto de feto anencéfalo"

Acredito que pra decidir sobre a vida e a morte acima de todos, há Deus, e na minha essência acredito que todos nós estamos aqui pra cumprir nossas missões, independente de quão difíceis possam ser.

Nessa resolução de nossa justiça, com certeza tanto o bebê irá perder por não poder cumprir sua missão que embora curta, tem sua importância, também perderá a família que deixará de aprender e evoluir, deixará de amar e ser amada!

E não querer passar por isso por medo de sofrer, por medo do bebê sofrer é no fundo o livre arbítrio que todos nós temos.

Queria lembrar o caso da Marcela, uma menina que acho que viveu 1 ano e meio e era anencefala. Em depoimento, a mãe sabia o quanto a menina estava alí realmente "presente" somente com o seu olhar, e que ela destinguia cheiros, como o da laranja, por exemplo, que ela adorava. Eles a tiveram, mesmo com o risco da perda, e confiaram em Deus.

Um exemplo: Se antes de você ter um filho, que viria sadio, soubesse que com pouca idade sofreria um acidente e morreria, você não o teria?

A gente não sabe quanto tempo nos aguarda! Uma pessoa saudável pode morrer de repente, uma pessoa doente pode viver 100 anos...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Mídia x Ser mãe

Há muito tempo tenho pensado no tema acima, e de como a mídia nos impõe a necessidade de sermos super mães. Nos impõe sua vontade e nos incluem todas na mesma situação, quando diz:

- devemos ter parto natural.
- devemos amamentar.
- devemos nos sacrificar.
- e ainda trabalhar fora, ser dona de casa e se possível, mulher sexy, no fim do dia... ufa!

Esqueça tudo isso, pois o mínimo que você puder fazer já estará de bom tamanho, e olha que escrevo isso por experiência própria.

A mídia diz que o parto natural é o melhor.... depende de vários fatores. Sua saúde, a saúde do bebê, a sua vontade (que é só sua, não abra mão dela). Não estou aqui para fazer apologia da cesariana, apenas tentando dismistificar esse sentimento que quase todas as mulheres carregam... o de que "só é mãe de verdade quem sente a dor do parto".

Depois vem a amamentação. Nossa! Que prazer maravilhoso! Mas que pra ser prazeroso depende de vários fatores, como: tranquilidade, boa alimentação, bom sono, bastante água, apoio do marido e de familiares.

Aí digo... a amamentação está na cabeça, unicamente na cabeça. Se você estiver descansada, alimentada, amada, e se puder.... com certeza amamentará!

A mulher tem que passar por cima de comentários como "Toda mulher tem leite..." "Você deve ter algum problema" e por aí vai... E se por algum motivo você não amamentar, não será menos mãe. Você deve se esforçar, mas isso não deve estar na frente da sua paz, saúde, felicidade e da relação que você tem com seu filho.

Pois o governo, a mídia, impõem o que deve ser feito, mas não como deve ser feito.

Tenho dois exemplos para pontuar a questão.

Minha amiga que teve nenem na mesma época que eu, ía comigo à sala de ordenha do hospital. Lá, com a ajuda de bombinhas de tirar leite, íamos quatro, cinco vezes ao dia, para tirar leite para nossos pequenos guerreiros. Eles estavam na UTI Neonatal. Ou seja, as vezes, deixávamos de estar com eles, pra tirar leite. Portanto, não era a nossa idéia de amamentação, mas era o que podiamos dar pra eles. Num belo dia... minha amiga, que tentava, em vão, encher uma mamadeira, desligou a bomba e gritou: "Chega!!!! Não aguento mais ser vaca leiteira, vou ficar com minha filha, tchau!" E nunca mais tirou leite. Realmente, exigir qualquer tranquilidade, paz, hora de sono e boa alimentação para quem fica 12 horas por dia numa cadeira desconfortável ao lado do leito de seu filho, é severo demais, não é?

Outro exemplo é de uma amiga minha que tentava amamentar, e que por ter uma prima também amamentando, e com leite saindo pelos cotovelos, se sentiu inferior, já que ela não tinha tanto leite. Com a exibição da outra, se sentia cada vez mais diminuida. Um dia me ligou pra dizer que tinha algo de errado com ela... aí eu disse: "Você não será menos mãe se comprar leite em pó para o seu filho, pare de sofrer!"

E a fórmula é assim... cabeça tranquila e feliz: mais leite.

Portanto não se desesperem. Ninguém é igual ao outro. Não se sinta inferior.

O mais importante é o que li num livro, algo como:

O carinho e a segurança são o que seu bebê mais precisa pra crescer feliz e saudável!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Adeus!




Minha princesinha Raquel fez a viagem para o Céu na madrugada do dia 21...

Ainda algumas semanas antes eu sonhei com ela, nós caminhávamos por uma praia deserta de areia branca e finíssima, estávamos de mãos dadas, mas em silêncio. Ás vezes ela parava, pegava alguma conchinha, molhava os pezinhos nas ondas. Era uma criança perfeita. No meio da praia nós paramos, as duas ao mesmo tempo. De alguma forma sabíamos que ali era o limite. Então, ela soltou da minha mão e continuou a caminhar sozinha, eu fiquei olhando-a ainda durante algum tempo, sabia que tinha que voltar sem ela...

Não sei se ela se voltou e acenou com a mãozinha... Ela não estava com medo e eu não estava triste... Simplesmente sabíamos que tinha que ser assim...

E assim foi, uma parada cardíaca repentina durante o sono e ela se foi como um passarinho, sem dor, sem sofrimento... Ainda tentamos reanimá-la em casa enquanto o socorro não vinha, mas já era tarde demais...

Ela se foi bem do jeito dela, sem dizer tchau nem nada, do jeito que quis porque sempre foi manhosa e só fazia o que queria...

Agora é retornar pela praia, por cima de nossas pegadas e reencontrar o caminho novamente. Muito mais difícil porque é o segundo filho que perco e a dor é dupla, profunda, demais...

Só me fica a imagem dessa praia... Belíssima, um dia perfeito de céu puro azul, o mar calmo, tranquilo...

Que vontade de voltar para lá!

domingo, 18 de setembro de 2011

Ser mãe



Recebi uma notícia muito surpreendente, isso já faz alguns meses, de que eu estava grávida! Foi uma experiência boa e terrível ao mesmo tempo descobrir que existia outro ser dentro de mim. Crescendo cada dia mais, sendo dependente de mim e estando todos os momentos ao meu lado. E fiquei com muito medo de agir errado com a criança, de não ser capaz de estar ao seu lado, de não ser suficiente.

Foi quando eu parei para pensar em todas vocês que são mães de pequenos anjos, com suas vidas tão frágeis. A qualquer momento essas vidas podem acabar e vocês ficarão sem essa alegria tão grande. Passam por estresses imensos, pois quando ocorre alguma doença com qualquer uma dessas crianças ela é muito pior por causa de todos os outros fatores de saúde. Uma gripe pode se complicar muito facilmente e sequer posso imaginar quão grande é a dor de ver esse filho em um estado grave.

Agora sei que mães sofrem muito com medo de verem seus filhos sofrerem ou partirem, e o quão grande é esse medo. Mas por mais medo que eu possa sentir jamais poderei saber como o medo de vocês é. Pois eu vejo ele sendo muito maior, muito mais terrível e ele nunca deve passar, sempre está lá em seus corações, mesmo que seja escondido.

Por isso quero dar um VIVA para vocês! Pela coragem e perseverança, pela doação de seu tempo e amor, por serem maravilhosas apenas por aceitarem essa missão. Pois não existe, para mim, tarefa mais difícil e bela do que a que vocês escolheram. Parabéns a todas por serem mães!

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Canudinho de Plástico



Ontem completaram-se três anos da morte do Pedro. Ele ia fazer doze anos, mas para mim ele continuava sendo meu eterno bebê.

Lembrei-me de uma situação muito engraçada que vivemos com ele. Estávamos na AACD, aguardando o início de uma de suas infindáveis terapias, nem sei qual delas, e as irmãs do Pedro, a Sofia e a Marina, estavam com a gente. Acho que tinham faltado na escola, era uma reunião de família num dia de atendimento da AACD. Onde mais a gente iria se encontrar?

Para aplacar a fome delas, o Diego havia comprado lanches e refrigerantes, depois nos sentamos nas cadeiras de espera. Eu estava com o Pedro no colo, ele não tinha completado um ano ainda, era um bebê gordo e rosado.

De repente, ele começou a gargalhar em meu colo. Assim, sem mais nem menos. Fiquei espantada, não sabia qual era o motivo daquele riso espontâneo.

O Pedro sempre foi uma criança muito risonha, a primeira vez em que riu tinha três meses de idade. Riu como se estivesse muito feliz e satisfeito em estar vivo. Depois nós aprendemos a provocar suas risadas, tapotando seu peito ou sacudindo vigorosamente suas perninhas gorduchas, o que ele achava incrivelmente engraçado! 

Mas ali naquele momento, não havia nada que pudesse provocar suas risadas. Assim como elas começaram, terminaram de um momento para o outro, sem que eu tivesse descoberto sua razão. Alguns minutos depois, lá estava ele rindo gostosamente de novo! Dessa vez, chamei a atenção do Diego e das meninas e todos ficamos olhando para o Pedro, estupefatos e prazerosos pois sua alegria era contagiante. Mas afinal, do que ele estava rindo?

Novamente as risadas pararam, sem que tivéssemos descoberto a origem daquela alegria e todos se sentaram em seus lugares. Contudo, alguns minutos depois, ele começou a gargalhar novamente! Seu peitinho subia e descia com as risadas! Dessa vez, todos se aproximaram decididos a descobrir o motivo daquela alegria e talvez desfrutar um pouquinho dela também.

Foi o Diego quem descobriu o "culpado": um canudinho de plástico! Sim, um canudinho de plástico que havia sobrado dos refrigerantes das meninas. O Diego havia pegado um deles e enquanto conversava com as meninas, gesticulava a mão segurando o canudinho. Ele estava sentando bem ao meu lado e conforme movimentava a mão, o canudinho esbarrava nos bracinhos do Pedro, provocando suas risadas!

Ficamos pasmados! Agarramos o canudinho e tentamos provocar risadas uns nos outros com o bendito, mas aparentemente só o Pedro achava graça naquele roçagar do canudinho. Era só encostá-lo em seu braço e fazer um ligeiro movimento que ele já começava a rir. Foram minutos de disputa para ver quem provocava mais risadas nele, até que finalmente esgotamos seu estoque de risadas.

Ficou aquela sensação de deslumbramento, como se tivéssemos participado de algo mágico e misterioso. Durante alguns minutos, compartilhamos todos um mundo rico e maravilhoso, onde é possível achar a maior graça num canudinho de plástico! E foi o Pedro quem nos convidou a entrar nesse mundo.

Um canudinho, uma gota de chuva, um raio de sol. Mas esse mundo em que vivemos apresenta cada maravilha! A gente poderia ter ficado ali, cada um mergulhado em si mesmo e em suas preocupações, irritados com a demora, com a espera, mas veio o Pedro e nos chamou para um pequeno milagre.

Pois então, é possível ser tremendamente feliz com um canudinho de plástico!

domingo, 19 de junho de 2011

CARPE DIEM!




Na semana passada, a Raquel pegou uma pneumonia. Ficou muito abatida, os parâmetros do respirador tiveram que ser aumentados, ela ficou dependente de oxigênio. Apesar de estar tomando antibiótico, não apresentou melhoras.

A cada dia que passava, eu via seu estado de saúde piorar. Ela não sorria mais, dormia quase todo o tempo. Na quarta-feira vieram coletar amostras de sangue para fazer exames e a atendente não conseguia aspirar o sangue, apesar de a agulha estar perfeitamente encaixada na veia. Sempre que isso acontecia com o irmão da Raquel, o Pedro, eu sabia que seu organismo estava muito rebaixado, sem condições de reagir à infecção. A atendente picou a Raquel três vezes para coletar todos os tubos dos exames e minha Pequenina não reagiu a nenhuma das picadas. Parecia em coma, o rosto muito pálido, os lábios descorados, a temperatura muito baixa.

Nesse instante eu soube que ela iria para o hospital. Fiquei com muito medo. É difícil explicar isso, não é racional, mas depois da morte do Pedro, eu relaciono internação em hospital com morte. Sempre que a pediatra fala em internar, eu acho que a Raquel vai morrer. Sei que o hospital tem mais recursos, que é uma alternativa viável para melhorar seu estado de saúde, mas meu coração não acredita.

Coração de mãe é assim, ás vezes age, pensa, sente irracionalmente...

Então, quando chegou a ambulância, a Raquel fez uma coisa inacreditável!

Abriu os olhos, se espreguiçou toda e sorriu! Como se nada estivesse acontecendo, como se ela não estivesse dormindo há quase 5 dias sem esboçar qualquer reação!

E a partir desse momento ela começou a reagir, voltou a bater os bracinhos, muito irritada com a gritaria das crianças do PS, a observar tudo com seus olhos arregalados, meio assustada com o local estranho onde se encontrava e a sorrir com as brincadeiras bobas que fazemos com ela (aqueles ruídos bobos que fazemos para crianças bem pequenas e que temos um pouco de vergonha quando alguém fica observando...).

O resultado foi que ficamos apenas algumas horas no PS e depois voltamos para casa e a Raquel passou quase dois dias inteiros rindo sem parar. Ria até durante a aspiração traqueal!

A vida com ela é uma montanha-russa. Num mesmo dia você desce ao fundo do poço e depois sobe até a mais alta montanha e fica bem pertinho do céu.

Nesse dia, lembrei-me da frase latina CARPE DIEM que significa CURTA O DIA, APROVEITE O DIA. Não dá para pensar no amanhã. Não sei se amanhã estarei com ela. Hoje eu posso tocá-la, beijá-la, maravilhar-me com seu sorriso, com seu olhar mudo a me procurar. Ontem já passou e amanhã ainda não existe.

E eu me pego pensando nisso até mesmo quando estou lavando um prato de louça. Eu me vejo me concentrando nessa tarefa, sem pensar no que vou fazer depois, ou amanhã.

Sei que é por medo de pensar no amanhã, quando possivelmente talvez ela não esteja comigo, assim como o Pedro não está mais. Mas não é uma maneira tão ruim de viver! 

Não é uma filosofia de vida, nem uma lição de vida. É só..... CARPE DIEM!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Não à perfeição!


Nos importamos tanto com os defeitos nossos e dos outros, com nossa aparência, como o que vestimos ou com o que outros vestem, se estão na moda, se sabem se portar ou andar na rua, se falam de um jeito estranho, com um sotaque diferente e todos esses detalhes se tornam pequenos motivos para não gostarmos de alguém. Precisamos que tudo e todos sejam perfeitos para que possam ser amados, para que possamos amá-los, pois só a perfeição é boa.

Em contra partida é frequente vermos hoje em dia tantas mães que abandonam seus filhos ou causam alguma violência à eles e no entanto eles eram crianças normais, que podiam andar, falar, ouvir e fazer todas as atividades de um ser humano normal. E mesmo assim essas mães ou familiares muitas vezes não aceitam seus filhos ou parentes, maltratando ou apenas abandonando.

Isso muitas vezes dói demais para mim, onde eu pude amar e aceitar minha irmã, mesmo com todas suas limitações, existem tantas pessoas que negam crianças sem nenhuma dessas limitações e preferem se fechar para esse amor. Não posso julgar nenhuma dessas pessoas e dizer que estão erradas, pois não estou em sua situação, com seus problemas e seus sentimentos e nem é isso que quero fazer, já que não cabe a nós julgarmos os outros.

O que fica para mim é que não é necessário que minha irmã seja perfeita, não preciso que ela ande e fale para amá-la, eu a amo exatamente do jeitinho que ela é e talvez se ela fosse perfeita eu não a amasse assim. Se existem tantas crianças normais que não são amadas do que nos adianta a perfeição? Não são nossas pernas ou braços perfeitos que nos farão ganhar amor. A perfeição de nada vale para ninguém e na verdade ela nem sequer existe. Devemos parar de buscar o que nunca teremos e abraçar o que temos agora, mesmo que não seja o que esperávamos, mesmo que seja alguém repleto de "defeitos", pois os "defeitos" só tornam as pessoas mais interessantes e nos fazem querer amá-las mais ainda.