segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Da Lagarta

É assim que vi o Home Care de início. Como uma Lagarta, grande, reluzente e gorda. Muitos vão me dizer que lagartas são insetos legais, coloridos e atraentes, e devo concordar que, por vezes, é verdade. Mas é assim com o Home Care também. Ele é atraente, já que me permite estar próxima de minha irmã de 5 anos, a Raquel. Que me permite abraçá-la, confortá-la e fazê-la sorrir sem o desconforto de estar no hospital, mas essa é outra história, agora ele ainda é uma Lagarta.

Uma Lagarta que queima e incomoda, que irrita e que está presente 24 horas do dia. Pois não há uma hora sequer que minha casa não esteja invadida, seja por auxiliares, fisioterapeutas, médicos ou entregas, seja de medicamentos ou de materiais. Nem sequer sinto que estou em minha casa! Tenho que pensar na roupa que uso, nas coisas que digo e que faço, pois todos estão vendo e todos comentam.

Se brigo com minha mãe ou meu pai sei que todos sairão comentando, cedo ou tarde. Se chego às 2 da manhã sei que logo estarei na conversa de muitas pessoas, que dirão que na casa em que trabalham a irmã da paciente fica farreando à noite. Ou se resolvo passar o dia lendo dirão que não faço nada. Sempre haverá motivos para comentarem de minha vida, ainda mais porque esses profissionais acabam fazendo parte dela.

É uma invasão constante e diária, tem vezes que não me sinto em minha casa e quando quero privacidade muitas vezes é necessário me trancar no banheiro! Rsrsrs... E só assim me sentir sozinha e em privacidade total.

Essa é a Lagarta para qual abrimos nossa casa na esperança que um dia se torne uma Borboleta, bela e leve, e rezamos para que essa transformação não demore, pois nossa paciência tem limites! Rsrsrs...

2 comentários:

  1. Nem todo mundo acha a lagarta assim tãããoo bonita... O que é belo na lagarta é o potencial de borboleta. Se a gente não passar pela lagarta, como chegaremos à borboleta?

    ResponderExcluir
  2. Oi Sofia, tá aí uma visão de home care que nunca tinha passado pela minha cabeça, afinal só fui mãe de Home Care, e não irmã... é difícil sim, mas é o que dá pra se fazer, não é? É só pensar que existem tantas crianças ditas "normais", com suas casas "tranquilas", seus pais "amorosos", que sofrem todo o tipo de violência verbal e física, então acredito que o que vale é o amor e como podemos dar esse amor de forma mais inteira e normal possível. Pra mim e sei que pra vocês a Raquel é mais amada, querida e cuidada, do que muitas crianças que não têm o valor e o carinho de suas famílias. E aproveite cada segundo ao lado desse serzinho tão especial, que sem falar uma palavra nos transmite o maior amor do mundo, aquele que dinheiro nenhum pode pagar... bjs, Ale

    ResponderExcluir