sábado, 5 de março de 2011

Do Casulo


E então aquela Lagarta do Home Care começa a se transformar, pois começamos a cada dia a nos acostumar com toda a agitação e invasão. Começamos a gostar cada vez mais das pessoas que vem cuidar de nossos familiares, pois elas doam carinho para eles. E, principalmente, ficamos radiantes de podermos estar perto de quem amamos, sejam eles nossos pais, avós ou, no meu caso, irmã. Podemos beijá-los, conversar e brincar com eles dentro de casa, assistir um filme junto a eles e dormir mais tranquilos em nossas camas sabendo que eles estarão ali ao nosso alcance a cada novo dia.

Tudo isso começa a aquietar nossos corações e a relevar tudo aquilo que julgávamos ruim, claro que ainda é uma invasão e claro que ainda ficaremos apreensivos quando uma folguista vier em casa, ou quando for necessário aparecer uma força-tarefa de repente, mas vamos nos sentindo cada vez mais fortes para supera essas dificuldades a cada novo dia.

Não que não iremos surtar de repente ou olhar de esguelha para a nova auxiliar, mas estamos nos acostumando com a rotina e, afinal ela começa a não parecer tão ruim assim, é aí que vai se formando o Casulo e a Lagarta vai desaparecendo e se encobrindo e pendemos entre aceitar e se revoltar, entre sorrir e chorar.

E nem percebemos que esse Casulo já está fazendo parte de nossa vida e a cada momento fica mais próximo de virar uma borboleta esplêndida.

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