Não me considero uma mãe especial só porque tive dois filhos especiais, portadores de múltiplas deficiências. Ser mãe de um filho especial não nos torna automaticamente especial. Se assim fosse, não veríamos tantas crianças especiais abandonadas em latas de lixo, em hospitais, em abrigos, violentadas, abusadas, sofrendo maus-tratos, muitas vezes da própria família.
Essas mães que abandonam seus filhos, que os maltratam não são especiais. São humanas.
Não são as adversidades da vida que nos tornam especiais, mas sim a forma como as enfrentamos e as opções que fazemos diante delas.
Mãe especial é a mãe que não pode ter filhos e adota 10 crianças de rua. São as mães que tiveram seus filhos perseguidos devido à opções religiosas, políticas, sexuais, devido à cor da pele e que mantiveram-se ao lado deles. São as mães que moram em favelas, abandonadas por seus parceiros e que trabalham o dia inteiro para sustentar seus filhos.
São as mães cujos filhos envolveram-se com drogas e que lutam junto com eles para libertar-se da dependência química.
São as mães que vivem na guerra, na miséria, na fome e que lutam para manter seus filhos vivos.
São as Mães da Praça de Maio, na Argentina, que, com sua determinação, enfrentaram políticos, policiais, todo um sistema que negava seus direitos de mães.
Ser uma pessoa especial é optar pelo amor e não pelo ódio, pelo perdão e não pela vingança, pela tolerância e não pela retaliação, pela compreensão e não pelo egoísmo.
Todos nó podemos ser especiais. Não precisamos esperar ter um filho especial para conseguir isso. A cada minuto de nossa vida, podemos fazer uma escolha que nos torna especiais. Nesse exato momento podemos fazer isso, sendo generosos com alguém que nos ofendeu, perdoando ofensas passadas, olhando o próximo com mais generosidade e afeto, cuidando dos outros como cuidamos de nós mesmos, não julgando o outro pois não sabemos pelo que ele está passando...

Essas são atitudes que deveriam ser naturais e não especiais. Amar, acolher, aceitar, deveríamos pensar primeiro nisso, um mundo assim seria melhor para todos. Um mundo onde seríamos todos iguais, não importa a cor ou o credo. Por isso acho que deveríamos tentar, mesmo nas menores atitudes que parecem não ter importância, agir melhor para com o próximo, ainda mais que um dia seremos esse próximo também! Pois o mundo é uma roda e tudo que vai um dia volta.
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