sábado, 5 de março de 2011

A Família Home Care



A Elaine e a Ale fazem parte desse grupo de mães de home care talentosas, corajosas, dedicadas, amorosas. Descobri que cada uma de nós tem um jeito especial de cuidar e de amar nossos filhos, assim como cada pai, cada mãe, cada família tem seu jeito, sua maneira de educar seus filhos. Nenhum é igual ao outro. E foi interagindo com outras mães que eu descobri que o amor tem um milhão de formas de se expressar.

A Elaine falou de uma coisa bacana: do quanto nossos filhos melhoram, se desenvolvem  e aprendem muito mais habilidades no home care, junto da família do que no hospital. Também sinto que a Raquel foi ficando bem mais espertinha em casa. Mesmo que não consiga falar, ela consegue expressar suas vontades e desejos, sua alegria e tristeza. Creio que isso se deve à interação familiar, aos cuidados amorosos das auxiliares e técnicas de enfermagem, ao incentivo das fisioterapeutas, enfim, ao cuidado muito mais individualizado do home care do que do hospital.

E a Ale falou de outra coisa: da saudade, da tristeza, do vazio que fica quando nossos filhos decidem partir, sempre mais cedo do que a gente espera. E o mais incrível é que, apesar de nossas reclamações contra a invasão do home care em nossas vidas, é nesse momento em que mais sentimos falta dele... Pois a presença dele significa nossos filhos ao nosso lado. E quando nossos anjos se vão, o home care vai junto e parece que o vazio que a gente está sentindo fica maior ainda... Não percebemos como nos acostumamos com essas pessoas diariamente em nossas vidas, partilhando todas nossas emoções, vivenciando nossa luta, chorando e rindo conosco, numa vivência mais íntima do que teríamos com nossa própria família. O home care passa a ser nossa família mais importante, porque ele é o sustentáculo da vida de nossos filhos.

E num dia você acorda e sua casa está vazia...

Só a saudade fica...

É por isso que para sempre seremos mães de UTI e Home Care. Essa experiência nos definiu, nos esculpiu. Muita coisa do que somos, seremos sempre por causa dessa experiência.

Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza.


3 comentários:

  1. Realmente a ausência de todo o Home Care só acentua a falta daquela pessoa que se foi, pois a cada novo dia percebemos que ela não está mais ali. E mesmo que pareça besteira essa é uma coisa que eu não sabia, que nunca nos curamos dessa dor, que ela nunca passa. A dor da perda se acomoda em nosso peito e passa a morar ali para sempre, nos acompanhando em todas nossas atividades diárias, nós nos acostumaos com ela e assim ela se torna mais suportável. Mas eu não sabia disso, achava que ela um dia passava e ela não passou. E essa foi uma dura lição para mim, é claro que com a presença da Raquel foi mais fácil tornar essa dor suportável, mas sei que ela ainda mora em mim. E é aí que ela e minhas saudades irão ficar.

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  2. A saudade é um sentimento triste, porém sentirmos ela significa que amamos e somos amados... um dia pensei: e se eu fizesse uma lavagem cerebral, pra não chorar mais de saudade, mas aí já não seria mais quem sou, e tudo que sou hoje veio do Diogo...

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  3. Se sentimos saudades é por que falta alguém querido que não esta perto, mas gravado no nosso coração e tenho certeza que um dia nos encontraremos de novo. Eu sinto muita saudades de meu pai. Já cheguei a pensar se meu pai estivesse vivo, será que teria tomado as decisões que tomei????????? Espero sinceramente não tê-lo decepcionado. Ale você é forte, tenho certeza que lá do céu o Diogo está cuidando pra que você continue sento a vencedora que é. Amiga conte comigo.

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